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                    [0] => O “Lunário Perpétuo” é um almanaque de ampla circulação no Nordeste brasileiro que inspirou estudiosos, folcloristas, artistas e, sobretudo, a cultura popular durante séculos. Criado pelo espanhol Jerónimo Cortés (1555-1615), se insere na tradição dos almanaques populares, contendo conhecimentos e saberes relacionados a diversos temas, como astrologia, previsões do tempo, astronomia, calendários, saúde, religião, agricultura, veterinária, além de elementos próprios de almanaques populares, como provérbios e conselhos para o bem-viver. O objetivo é compreender as formas como o Lunário alcançou permanência documentária e informacional na cultura brasileira através de suas releituras e apropriações por diferentes atores. No tratamento conceitual, estudam-se os almanaques enquanto documentos, objetos culturais e dispositivos infocomunicacionais da cultura popular escrita. Na metodologia, realizam-se dois procedimentos: a) análise de um corpus de exemplares do Lunário, a fim de identificar sua estrutura e temáticas recorrentes; b) análise de sua releitura pela Escola de Samba Unidos do Porto da Pedra no Carnaval do Rio de Janeiro, que em 2024 teve como enredo “Lunário Perpétuo: a profética do saber popular”. Nos resultados, apresentam-se elementos que apontam para um modo de ser do Lunário, que sustentou sua releitura por escritores e artistas como Ariano Suassuna e Antonio Nóbrega e sua inspiração para artistas populares por meio do sentido de festa, símbolo de força e resistência da cultura popular, como trabalhado pelo historiador Luiz Antônio Simas. Conclui-se que o Lunário é um documento e dispositivo infocomunicacional que continua presente na memória e na cultura, e destaca a relevância duradoura da comunicação popular escrita.@pt
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